O Poder do Agora
(Eckhart Tolle)
Inicialmente o livro fala das angústias do autor o que através da superação delas e dos insights vividos neste momento levaram o mesmo a escrever esse livro. Ele tem como objetivo tratar da natureza da inconsciência humana, do sofrimento e da ilusão criada pela nossa mente.
O autor enfatiza que a forma dinâmica do livro irá ensinar o que é falso em você e mostrar como a identificação com esse falso “eu interior” só pode trazer medo e infelicidade. Após essa percepção o próximo passo é se libertar da escravidão de sua mente, entrar no estado iluminado de consciência e manter esse estado na sua vida cotidiana.
O livro e um diálogo, ou seja, cheio de perguntas e respostas o primeiro questionamento é o que é iluminação? O autor deixa claro que é um estado de conexão com algo imensurável e indestrutível, é sua essência, é encontrar a verdadeira natureza por trás do nome e da forma. Que essa ideia de esforço sobre-humano é um conceito que agrada o ego, mas é simplesmente um estado natural.
O estado natural do Ser, entendendo o Ser sendo o eterno e sempre presente, Vida Única que existe além da forma de vida sujeita ao nascimento e à morte. Recuperar a consciência do Ser e submeter-se a esse estado de “percepção” de sentido é o que se chama de iluminação.
É a sua essência, tão acessível como sentir a sua própria presença, a realização do EU SOU que antecede ao “EU ISSO” ou “EU SOU AQUILO”. O grande obstáculo para se vivenciar essa realidade é que estamos identificados com a mente, o que faz com que estejamos sempre pensando em alguma coisa. O pensador compulsivo vive em um mundo povoado de conflitos e problemas. A iluminação é um estado de plenitude, de estar em “unidade” tanto com o universo quanto com seu EU interior mais profundo. Ao nos identificarmos com a mente criamos uma tela compacta de conceitos, rótulos, imagens, palavras e julgamentos que bloqueiam todas as relações verdadeiras. É essa tela situada entre você e seu eu interior, você e o próximo, entre você e a natureza é que cria a ilusão de separação que existe você e um outro separado.
Você não usa sua mente é ela que usa você, essa é a doença, você acreditar que é a sua mente. É quase um estado de dominação, a liberdade começa quando percebemos que não somos a entidade dominadora, o pensador. Saber disso nos permite observar o pensador, ativando assim a consciência. Comece prestando atenção ao que a voz diz, quais os padrões repetitivos de pensamento, ao ouvir o pensamento mostra que você está consciente não só do pensamento, mas de você mesmo como testemunha daquele pensamento.
Portanto o ponto mais importante na caminhada em direção a iluminação é aprendemos a nos dissociar de nossas mentes. Toda vez que criarmos um espaço no fluxo do pensamento a luz da nossa consciência fica mais forte.
Mas porque somos viciados em pensar?
No processo do crescimento construímos uma imagem mental de nós mesmos, baseado em condicionamento pessoal e cultural, o tal “fantasma pessoal do ego”. O ego aqui significa um falso eu interior, criado por uma identificação inconsciente com a mente. O sofrimento é uma forma de não aceitação ao estado de presença, o sofrimento varia de acordo com o grau de resistência do momento atual. A iluminação significa chegar a um grau acima do pensamento, utilizando assim a nossa mente em sentido prático, ou seja, como instrumento. Usando no tal sentido prático vemos uma certa distorção a respeito da compreensão da manifestação da emoção.
A emoção que é outro aspecto trazido no livro nasce no lugar onde corpo e mente se encontram é um reflexo da mente no nosso corpo. Sentimentos como Amor, alegria e paz são estados profundos do SER, ou melhor, três aspectos do estado de ligação do interior ao SER, assim não possuem opositores pelo simples fato que surgem atrás da mente. As emoções elas precisam de um sentido dualista, estão sujeitas à lei dos opostos, para existir um bom e preciso ter o mau, muitas vezes confundimos a emoção prazerosa de alegria com o sentimento alegria por ter momentos de prazer.
O sofrimento emocional é decorrente da identificação com nossa mente. O ressentimento, o ódio, a autopiedade, todas elas são expressão do sofrimento no corpo. O sofrimento se dá pela não aceitação ao que é. Em outras palavras, quando mais nos identificamos com nossa mente, mais sofrimento teremos. Faça do agora o foco de sua vida!!!!
O sofrimento nada mais é que a sombra escura projetada pelo ego que tem medo da luz de nossa consciência. Nossa cura está no estado de presença, passamos a testemunhar ou observar o sofrimento e assim ele não poderá mais nos usar, fingindo ser nosso eu interior.
Resumindo o processo: concentre sua atenção no sentimento dentro de você. Reconheça que é sofrimento. Aceite que ele esteja ali. Não pense a respeito. Não permita que o sentimento vire pensamento. Não se identifique com ele. Esteja presente e observe o que está acontecendo dentro de você. Perceba tanto o sofrimento emocional como a presença de “alguém “que observa, o observador silencioso. Esse é o poder do agora, o poder da sua própria presença consciente.
Um aspecto do sofrimento é o medo que aparece de várias formas de perder, de falhar, de nos machucar e tantos outros, mas na verdade todos os medos se resumem em um só : O medo que o ego tem da morte da destruição.
Outro sofrimento emocional é uma profunda sensação de falta, de incompletude, de não se sentir inteiro. E muitas pessoas acabam de maneira compulsiva buscando uma forma de gratificar o ego e “acabar” com esse vazio. O ego tem a necessidade de identificar-se com algo externo como propriedades, status social, aparência física e tantos outros, porém nada disso é você.
No capítulo três ele vai se aprofundar no estado de presença. Uma vez que se reconhece que a raiz da inconsciência vem de uma identificação com a mente, daremos um passo para se livrar dela. Ficando presente. A mente é um instrumento maravilhoso, o mau funcionamento acontece quando buscamos o nosso eu superior dentro dela.
Está identificado com a mente é estar preso no tempo, isso cria uma preocupação infinita com o passado e o futuro, isso se dá porque o passado nos dá uma identidade e o futuro contém uma promessa de salvação e de realização.
Porém o que consideramos passado é um traço de memória, de um agora anterior e o futuro é um agora imaginado, ambos não existem, a realidade deles é “emprestada” do agora. A mente não pode conhecer você, ela conhece os julgamentos, as opiniões sobre você. Só o agora do SER conhece você. Toda negatividade é causada pelo acúmulo de tempo psicológico e pela negação do presente. O desconforto, a ansiedade, a tensão e o stress são excesso de futuro. A culpa, a tristeza, a amargura são excesso de passado. Não há salvação dentro do tempo. Portanto, você só pode ser livre agora.
E quais são as estratégias da mente para evitar o agora?
A resistência ao agora como uma disfunção básica coletiva está intimamente ligada a perda da consciência do SER e forma a base da nossa civilização industrial desumanizada. As contas de amanhã não são o problema, a degeneração do corpo não é o problema. A perda do agora é que é o real problema. Buda nos ensina que a raiz do sofrimento pode ser encontrada em nossos desejos e ansiedades permanentes. A resistência do agora como uma disfunção coletiva está intimamente ligada a perda da consciência e essa é a forma básica da civilização industrial desumanizada.
Como se livrar de tudo isso? Onde quer que você esteja, seja o que for que esteja fazendo esteja inteiro. Sinta o poder do momento presente e a plenitude do Ser. Sinta a sua presença.
Faça sempre a seguinte pergunta: qual o problema que eu tenho neste exato momento? O estado de presença faz com que a mente não nos arraste. A mente egóica coletiva é a entidade mais insana e destruidora que já habitou o planeta. A presença é a consciência pura que foi recuperada da mente, do mundo da forma. Quando não se encontra satisfação nas coisas que possui se tem um sentimento de frustração ou de aborrecimento mesmo que ganhe milhões, continuará a ter a sensação de que falta alguma coisa, pois a verdadeira prosperidade está na plenitude do agora do simplesmente SER, pois essas estimulações passageiras do ego sempre deixará a sensação de vazio ainda maior.
Em você já contém todos os passos a serem seguidos, é uma jornada interna e solitária. Dê atenção ao presente, foque em seu comportamento, suas reações, seu humor, seus pensamentos, suas emoções, medos e desejos da forma como eles acontecem no presente. Compreender a presença é estar presente. Quando a consciência se liberta da sua identificação com as formas física e mental, torna-se o que podemos chamar de consciência pura ou iluminada.
Faz-se necessário entender que a mente absorve toda sua atenção, ou seja, absorve toda sua consciência e a transforma em matéria mental, não consegue assim parar de pensar. O pensamento compulsivo se tornou a doença coletiva, tudo que você acha que sabia a seu respeito passa a se originar da atividade mental. Sua identidade, como não tem mais raízes no SER, se transforma em uma construção mental vulnerável e indispensável, que cria o medo e esse passa a ser a emoção predominante.
Aquilo que percebemos como uma estrutura compacta, chamada corpo, não é você é uma percepção errada da nossa realidade essencial, que vai além do nascimento e da morte cujo as causas estão na limitação de nossa mente. A mente tendo perdido o contato com o Ser, cria o corpo como uma prova da sua crença ilusória de separação para justificar o seu estado de medo.
A cura se dá na presença, sendo a presença a consciência pura, ou seja, a consciência que foi recuperada da mente, do mundo da forma. O corpo interior e nossa ligação com o não Manifesto e em seu aspecto mais profundo, é o não manifesto, ou seja, a fonte da qual a consciência emana. Perceber o corpo interior significa que a consciência está lembrando as suas origem e retornando a fonte.
Os benefícios da consciência corporal se assim posso chamá-la são verificados pelo retardamento do processo de envelhecimento, pois o acúmulo do tempo, tal como um fardo psicológico do passado e do futuro prejudica a capacidade de auto renovação das células, então se você ocupa seu corpo interior, o exterior vai envelhecer em ritmo mais lento. Outro benefício é o fortalecimento do sistema imunológico não só o físico mais o psíquico também, pois eleva nosso campo vibracional de forma que coisas que vibram em baixa frequência como o medo, a raiva, a depressão passa a não entrar em sintonia com nosso campo atual.
Quando nos rendemos aquilo que é e assim ficamos inteiramente presentes, o passado deixa de ter força. A chave de toda saúde física, psíquica e emocional é o estado de presença. A chave é O AGORA!
